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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Nostalgia

     Há pouco tempo lembrei-me do passado e senti vontade de aqui voltar, ler aquilo que escrevi e reavivar a minha memória da pessoa que fui em tempos. E assim, passado quase um ano da ultima vez que aqui vim, volto hoje, uma pessoa diferente e ao mesmo tempo igual. As vontades e desejos mantêm-se. A busca da perfeição ainda é um objectivo, apesar de tão longínquo como na altura. Progressos houve, mas não em relação à bulimia ou ao peso. O espelho e a balança dizem-me algo que eu não quero. E a sensação de comer tudo o que vejo à frente continua presente no meu dia-a-dia. E talvez seja por isso que nunca mais cá vim. A vergonha de cá vir e não poder contar como as coisas correm bem é enorme. Mas isso sempre foi, praticamente desde o início.

     Em relação às aulas, não sei se a mudança de curso foi a opção certa. Desde o fim do ano passado que me encontrava desmotivada e, passado um ano, isso não mudou. Deixei de ser a pessoa a quem toda a gente pedia ajuda, a quem uns admiravam, aquela que podia ficar orgulhosa de ser a melhor nalguma coisa, para ser uma pessoa que não consegue ler uma linha sem ficar com dores de cabeça e sentir-se cansada. Não tenho paciência para estudar, assim como não tive paciência o semestre todo para pôr os pés nas aulas. E agora, correndo o risco de não passar a uma cadeira sequer, sinto-me a cair num abismo tão fundo que será impossível chegar ao fim viva. Mas ainda penso que para o ano talvez seja diferente.

     Mas nem tudo são más notícias. Encontrei finalmente a pessoa certa para mim, o meu melhor amigo. Foi completamente inesperado, no início tinha muitas dúvidas do que poderia sair daqui e tive medo de cometer o mesmo erro que já tinha cometido antes, o de confundir as coisas por me sentir sozinha e precisar de alguém, mas agora passado três meses (um recorde!!) sei que não poderia haver alguém com quem eu mais quisesse de estar. Claro que nem tudo é perfeito, e com as minhas manias e as minhas inseguranças, já estive bem perto de estragar tudo. E agora em tempo de exames, há pouco tempo para estarmos juntos e eu sinto-me menos importante para ele, mesmo sabendo que ele não tem culpa. Contei-lhe do meu problema e ele tem tentado ajudar-me, embora em vão. Mas o facto de saber que ele está ali para mim se for preciso já é bom.

     Concluindo, com mudanças ou não, continuo a mesma desequilibrada de sempre com os mesmos problemas sem sentido. Soube bem escrever aqui e reviver o passado, na esperança que encontrar uma solução para o futuro.

     Desejo a todas as que ainda possam aqui passar a maior sorte do mundo e espero que tenham força para ultrapassar quaisquer que sejam os problemas que vos atormentam.

     Para acabar, queria só dizer que tenho saudades de falar com algumas pessoas que me ajudaram há uns anos. Para elas, um grande beijinho.

 

Até à próxima!!




Domingo, 10 de Agosto de 2008
O mesmo de sempre

Já estava com saudades de escrever aqui. Mas apenas tenho coragem de vir aqui nos momentos em que me encontro menos mal.

Os comprimidos que ando a tomar não têm feito efeito algum, alias acho que têm feito pior. Tanto que hoje não os tomei e não tive vontade nenhuma de comer compulsivamente. Mas de qualquer maneira, apesar de me parecer idiota da minha parte, vou voltar a tomá-los amanhã.

Para além de hoje, os únicos dias em que não fiz asneiras, foram os cinco dias que tive fora de casa na semana passada. E até que os suportei bastante bem, e consegui emagrecer uns quilinhos, mas quando cheguei a casa, a primeira coisa que fiz foi ir ao minipreço comprar uma data de porcarias para as miar em seguida. Ou seja, os quilos que perdi estão todos de volta outra vez.

Agora devo passar as poucas semanas que me restam de férias fora de casa, o que me parece óptimo para controlar os ataques. Já sei que não será nada definitivo, mas de qualquer maneira, por muito pouco tempo que seja, é melhor que nada. E pode ser que este ano, como vou mudar de curso e por isso vou ter muito mais cadeiras para fazer, esteja demasiado ocupada para pensar em comida. Mas logo se vê.

 

Muitos beijinhos e boas férias!




Segunda-feira, 7 de Julho de 2008
...

Bem, como estava à espera, a médica tentou despachar-me como sempre. Receitou-me uma data de coisas e mandou-me ir lá outra vez na quinta-feira. Nem me fez perguntas, nem sequer olhou para mim. Portanto, vou começar a tomar o que me receitou e esperar até quinta-feira.

 

Beijinhos




O Grande Dia

Daqui a umas horas tenho consulta com a minha médica de família e há uns dias estava com mais coragem do que hoje. Mas não posso mesmo continuar assim. A bulimia não está tão insuportável como antes, graças às pessoas que conheci este ano, que me ocupam mais o tempo e me fazem um pouco mais feliz, mas de qualquer maneira continua a estragar-me a vida. Sinto-me cada vez mais fraca e cheia de dores, os meus olhos parece que vão explodir, assim como a minha cabeça e também não há muito dinheiro para gastar comida para miar.

Não sei como vai ser, o que a médica vai pensar de mim, o que me vai dizer para fazer, mas tenho tanto medo e, ao mesmo tempo, estou tão ansiosa. E, sem ser vocês e a minha melhor amiga, não tenho ninguém com quem partilhar os meus sentimentos. Por isso, agradeço-vos o vosso apoio que é muito importante para mim. Obrigada!

Mais logo, venho cá contar como foi a consulta.

 

Beijinhos




Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Ajuda

   Resolvi tentar, mais uma vez, ser feliz. E para isso preciso acabar definitivamente com as compulsões.

   Tive ontem uma conversa com a minha melhor amiga que já sabia o que se passava comigo, e resolvi procurar ajuda. Estou com bastante medo do que possa vir aí, mas acho que é a atitude certa. Quando acabar de escrever, vou ligar para o centro de saúde e marcar uma consulta com a minha médica de família. Ela é uma porcaria como médica, mas não sei o que possa fazer mais, visto que não tenho dinheiro para ir a um psicólogo.

   Tenho muito medo de não conseguir e de então perder toda a esperança e vontade. Tenho medo também de que todo o esforço que fiz para sair da casa do 50 kg (finalmente a minha balança indica um numero começado por 4), não tenha servido para nada. Mas depois vejo o que acontece. Acho que preciso mesmo de mudar a minha vida e não posso adiar mais. Quando for altura da consulta, espero continuar a pensar assim.

 

Beijinhos




Sábado, 28 de Junho de 2008
Minha querida família...

Como já não escrevo aqui há um mês, tenho várias coisas para contar. Vou começar pelo que, principalmente, me fez vir aqui. Ontem a minha avó materna fez anos e fui jantar com a família toda. Tentei, como sempre, ir o melhor possível, para evitar as críticas, mas, como sempre, estas foram inevitáveis. Desta vez, voltaram ao seu tema favorito: o meu peso. As minhas tias e os meus avós fizeram questão de me relembrar que vou morrer jovem por causa do tabaco e da anorexia que eles inventaram. Normalmente, é bom dizerem-me que estou mais magra, mas não neste caso. Não só porque não é verdade como também porque para eles, magro é tudo o que não é obeso como eles. No fundo, acho que a minha tia mais nova tem um bocado de raiva de mim por eu não ser tão gorda como ela. Quando ela tinha a minha idade era bem mais magra do que eu, mas os dez anos que nos separam fizeram-na engordar uns bons 30 quilos. Mas ela faz questão de mostrar como se acha perfeita em todos os aspectos. E eu continuo sem ter a coragem para lutar contra ela. Acho que se lhe dissesse tudo aquilo que gostaria de dizer, mesmo que ela ficasse sem me falar, tiraria um peso enorme de cima dos meus ombros. O que também me chateia bastante é o facto de eles julgarem que ainda sou uma criança. Acham que podem controlar o que faço, o que como, até mesmo o que bebo. No jantar, iam pedir sangria e a minha prima perguntou se também queria. O meu avô disse logo que eu não podia beber, sabe-se lá porquê (como se eu nunca tivesse bebido na vida...). Mas bem, lá me puseram um bocadinho de nada que nem deu para molhar os lábios ("se ela fuma, não é a sangria que vai fazer mal" ou "pode ser que lhe abra o apetite"). Bem, só queria mesmo sair dali. E no caminho para casa, chorar foi inevitável.

Passando ao assunto seguinte, no dia 12, fui com umas amigas aos santos e para meu espanto, consegui algo que não conseguia há muito tempo: que alguém se interessasse por mim. Conheci um rapaz e, ao contrário do que sempre fui, senti-me mesmo à vontade com ele e com a ajuda de um pouco de álcool, acabamos por curtir. Óbvio que eu sabia que não ia passar daquilo, mas foi tão bom sentir que havia alguém que queria estar comigo, nem que por um momento. Chegamos a falar depois disso e a estar juntos outra vez, e foi bom, mas fez-me ver que preciso de mais do que isso.

Não sei se por causa daquilo que acabei de escrever ou por, simplesmente não ser tão inteligente como pensava que era, os exames que fiz na semana a seguir foram a desgraça completa. Nunca tive notas tão baixas e isso deixa-me muito triste. Sinto que perdi a ùnica coisa que me fazia diferente das outras pessoas e que sempre me podia gabar por ser a melhor. Mas como espero mudar de curso, e as duas cadeiras a que me dão equivalências não correrram assim tão mal, estou um bocado mais descansada.

Bem, a esta hora já devia estar a dormir, para amanhã poder estudar um bocado antes de ir para o volei, mas já vi que não vai dar.

 

Beijinhos




Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Desmotivação, preguiça e outras coisas

Como o título indica, ando desmotivada. Para dizer a verdade, motivação nunca foi coisa que me sobrou, mas havia sempre aguma coisa que me fazia levantar todos os dias e sair de casa. Ou era aquele rapaz especial ou aquela aula que eu sempre gostei ou para estar um bocado com os meus amigos. Agora, nem para me levantar da cama encontro razão. Não tenho ido às aulas e vejo que isso começa a trazer graves consequências. Sinto-me burra, o que, modéstia à parte, foi coisa que eu nunca fui ( a não ser para algumas coisas...) e que sempre tive orgulho em não ser. Tem-me custado a pensar, fico cansada e começo a divagar. Já não sei se quero mudar ou não de curso, o que há dois meses atrás parecia tão certo. Mas também quando preenchi a candidatura também estava certa do que queria e acabei por mudar de ideias. O pior é que aquilo que me apetece mesmo é não fazer nada. E isso assusta-me muito. Sempre sonhei com uma vida profissional brilhante, a fazer o que eu gosto, a ser a melhor no que faço, mas já percebi que é um sonho que não se vai realizar. Assim como todos os outros... Este podia não ser o sonho mais importante, mas sempre foi aquele em que tive mais esperança e por isso é que me custa tanto abdicar dele.

Quanto aos outros sonhos que, pelos vistos, nunca passaram disso, continua tudo na mesma. A bulimia não me deixa em paz, continuo a ver a mesma imagem nojenta no espelho e continuo sozinha e desinteressante. E não tenho forças para mudar...

Bem, ainda há muitas coisas que queria escrever, mas como já disse, custa-me muito pensar, até porque não tenho dormido nada, por isso fico-me por aqui.

 

Beijinhos




.a nova fase da lua
Altura: 1,62 m
Peso actual: 54,5 kg IMC: 20,8
Peso inicial: 54 kg IMC: 20,6
Peso máximo: 63,7 kg IMC: 24,3
Peso mínimo: 48 kg IMC: 18,3
Meta: 45 kg IMC: 17,1
.Julho 2009
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.Which metal disorder do you have?
You scored as Eating Disorders, Congratulations!

Eating Disorders

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Unipolar Depression

92%

Borderline Personality Disorder

58%

Obsessive-Compulsive Disorder

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Antisocial Personality Disorder

17%

Schizophrenia

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